sábado, 27 de junho de 2009

Sonhos

Todo o sonho que eu sonho já se realiza, ao menos em sonho. Meus sonhos sempre se realizam. Antigamente estavam lá no meu sono acordada em meio às cobertas da hipocrisia que insistiam em me esfriar ao invés de esquentar, que é o trabalho das cobertas. Tentava enxergar por entre a coberta, mas a visão era precária. Atrapalhava-me tanto essa coberta que eu me livrei dela, agora consigo ver meus sonhos se realizando de maneira bem limpa e o que me esquenta é o cobertor de sorrisos que há em meus sonhos.
Não é necessário que sonhos saiam dos sonhos para ser realidade. Nós realizamos sonhos sonhando e se quisermos fazer um sonho sair do sonho, devemos saber que sonhos são teimosos e não gostam de serem incomodados. Eles gostam do fato de que são sonhos. Nós temos de reunir nossa força para tirá-los de lá e temos de teimar com eles. Eles dão trabalho, mas quando sonhos não são mais sonhos, nós pensamos ainda estar sonhando sonhos que em sonhos são realidades de tão sublime. Na verdade, antes do sonho sair do sonho nós também estávamos vivendo os sonhos que sonhávamos. Muitas vezes, só então percebemos a importância de sonhar que na verdade não é essa. É a de só sonhar. Sonho é o alimento da alma.
Como as pessoas não têm mais tempo para sonhar, eu sonho por elas sonhos que eu desejo que se realizem nos sonhos delas também.
É tão bom sonhar sonhos que não são mais sonhos, já são realidades em forma de sonhos, que durmo acordada só pra sonhar sonhos que não serão mais sonhos no momento em que eu os sonhar.

Talvez não estejamos mesmo...

Vida é coisa estranha, que passa pela gente sem ao menos percebermos.
Ela às vezes trás uma energia tão quente, que a nossa alegria não se contém e sai do corpo, num sorriso enorme. Às vezes nos trás escuridão e essas fases fazem com que a gente se encolha e se reprima. Ambas as sensações passam e se alternam. De vez em quando a vida vem com uma companhia, que insisto em chamar de anjos, para nos alegrar, nos encher de pequenas sensações que não sei dizer aonde nos levam, elas simplesmente nos deixam tão leves que pensamos não estarmos no lugar que estamos. Talvez não estejamos mesmo. Quando encontramos esses anjos sentimos que somos quase como bolhas de sabão sopradas pelos anjos, voamos livremente... Então agradecemos à vida por ter nos trazido essas pessoas.
De repente esses anjos somem e nós somos levados por uma onda de desespero. Depois a gente entende que a vida tem de levar esses anjos alegrar outras pessoas, afinal, não somos os únicos do mundo, e aqueles não são os únicos anjos.
A vida é bem maluca. Eu já a considerei um pouco má, mas entendi que ela é como deve ser, e assim, é muito boa. Até porque, embora não mandemos na vida, mandamos na felicidade e eu te garanto, na tristeza há uma grande quantidade de felicidade.